Todos merecemos uma dose de amor. Seja em um bar fétido de esquina que abriga dezenas de amantes anônimos em noites frias, com um copo ou uma garrafa surrada até o gargalo com uma pinga barata, ou seja em um utópico paraíso.
Mas no final, quem pagará essas doses embriagantes de solidão? O Mundo não paga pra ninguém. A dívida aumenta, e os amantes vão embora para suas casas tropicando em seus próprios passos imprecisos. E riem. Gozam da vida, enquanto a própria ironiza todos os tombos na sarjeta, todas as dívidas no bar fétido, toda a solidão que ela mesma emboscou para eles.
Mas eu não disse que todos merecemos uma dose de amor? E merecemos. Merecemos também milhões de reais, milhões de sorrisos e milhões de garrafas de um bar. A vida nos deu o que merecemos?
O que merecemos esta lá, longe, inalcançável. O que temos está aqui, cheirando mofo, monotonia, nostalgia, utopia.
Então, brindemos à vida!

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