Estes dias sempre me pareceram tão distantes que eu os guardava no céu.
Remotamente imaginava um amor. Não um amor qualquer, mas o amor que viera à mim: descontrolado, de me fazer chorar de tanto ser feliz, de me fazer chorar medo.
Mamãe nunca conseguiu traduzir as emoções de um amor com suas palavras enquanto, inutilmente, o descrevia. E todas as minhas patéticas tentativas de fazê-lo foram tão inúteis quanto as de mamãe. As de todos os poetas o foram. E as de todos os loucos também.
E caberia à mim, então, morrer para viver tentando transcrever o que as palpitações de um amante coração querem mostrar à vidas de desamor? Seria eu digna de fazê-lo? Ou hipócrita em cogitar isto?
Mas os temidos ou queridos dias estão batendo em minha porta debilmente como se eu não estivesse em casa; como se eu estivesse com medo de abrir a porta e, quem sabe, convidá-los para um chá. São dias que arrepiam os diminutos pêlos da nuca ao pensar em encará-los, e mesclam o ansiar com o rejeitar.
Viver um amor, mostrar um amor ou minimamente provar de um pedaço de amor é tarefa deliciosamente árdua, é paradoxal. E estes dias cheios dele, que tanto guardei no céu, chegaram abruptamente e eu, como se fosse dona do controle de uma força maior, tentei refrear.
Agora, eles já estão descontrolados, e sinto já estar atrasada para abrir a bela porta e preparar o chá.

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