Descarregamento não-atrativo


Grita, faz birra, desconta tudo. Se arrepende, chora, quer gritar outra vez só por ter gritado a primeira irracionalmente. Quer abrir a torneira e deixar tudo se esvair. Mas não pode. Nunca pôde, mas fez. 
Ela quer trazer pra perto, quer um lenço, quer um pause. Quer um escudo, uma espada, quer cessar o marejar dos olhos baixos de vida decadente.
Quer força.
Uma conversa boa, uma previsão futurística, uma ilusão boa. Uma expectativa que a atraia. 
Quer vestígios de sol. Mas no fim do dia vai se limitar a derramar mais algumas lágrimas, transcrever todas as palavras jamais proferidas, ansiando que ninguém as leia. Pois agora só os dedos são capazes de fluir o que sente, já que o que se sente não pode ser dito, ouvido, visto. 
Já que para cada demonstração explícita, existe um abafador à esquerda e uma pedra à direita.

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