Indefinitivo "tchau"


— … mas você disse que não faria mais isso!
— Você disse que entenderia!
— Não consigo fazê-lo… você sabe que sou assim! Por que não tenta entender também?
— Você sempre pensa que é fácil… NÃO É! 
— Chega! Tchau.
— Tchau!!!
Um breve diálogo pós-fatos, mas um diálogo doloroso. Doía tanto pra uma quanto pra outra. Mas não é sempre doloroso dessa forma? Em tese, passa rápido. E pra quem observa de fora passa realmente “voando”, mas pra quem está sofrendo, mesmo poucos 5 minutos parecem 5 dias. 
Conteram o desespero, pelo menos parte dele. Se perderam na vontade de correr: Não sabiam se queriam ir pra bem longe ou se queriam correr para os braços do amor. Por fim, ficaram e esperaram aquilo passar, pois sabiam que passaria.
Aquelas brigas pouco duravam. Brigas… acho que o termo certo não seria tão ruim. Eu usaria algo mais leve… desentendimento seria ideal. As palavras eram curtas e o silêncio demasiado longo; era insuportável aquela ausência de palavras, especialmente aquelas tão calorosas que costumavam proferir. O orgulho puxava uma de direita e a outra de esquerda, fazendo-as ficarem aos poucos mais distantes. 
“Mas já temos tantos outros grandes desafios com que nos preocupar”, pesavam. E realmente não era mentira. Tantos problemas as cercavam… mas elas não fraquejavam. Enfrentavam de cabeça sempre erguida. Já tinham vencido o medo. E se fosse preciso, fugiriam de tudo e de todos os outros. Eram auto-suficientes, pois eram uma só.
Passaram por cima daquela e de todas as outras brigas. Costumavam dizer que o amor que sentiam uma pela outra era mais forte que o mundo todo, e não era mentira. 
Algumas brigas, claro, mas isso é tão normal quando se quer alguém, como eu quis você.”
Nós deixamos o orgulho bem longe e, enfim, depois de um longo silêncio, voltamos àquelas melhores e mais sinceras palavras que dizíamos uma para a outra: “Eu te amo, meu anjo”.

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