Tudo gera o nada. O vazio, o nada de uma alma que outrora foi semeada por explosões contínuas de detalhes, e que hoje é uma junção de fagulhas sem quem ou por quê.
A confusão faz morada em cada coração desolado, e quis tanto não ser o meu um dia. Tanto falei sobre o tempo, sobre almas e perdão, porém as palavras pousaram no soalho da vida, e tão rápido quanto descansaram, se esvaíram. Se eu precisar delas por ventura, pressinto não encontrar nada que exceda um copo de bar.
Disseram-me. Prometeram-me. Já não faz diferença alguma. Saber, ouvir ou confiar já se tornou questão de passa-tempo; só ouço, com interesse forjado, para não me afundar de vez no tempo e no tédio. Talvez seja isso tudo o que me mantém com a mente viva.
Porque confiar é um tiro no escuro. Acreditar é uma incógnita no breu. Só hei de decifrar todas elas quando eu precisar de um coração para ceder-me abrigo e me trazer de volta para uma vida de corpo, coração, espírito e alma.

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