Posso ser diagnosticada com transtornos mentais, desequilíbrios emocionais, autora de psicoses…
Podem me oferecer quantos diagnósticos quiserem. Vou pegá-lo, analizá-lo e meus olhos o aceitará, mas jamais permitirei minh’alma fazê-lo.
Não sou doente, mas aceito que estou. E “estar” não é um estado definitivo, é passageiro.
Não aceito medicamentos, drogas, tratamentos psiquiátricos que estão de acordo com os padrões científicos mas que são pobres de sensibilidade, de humanismo.
Não permitirei que a sociedade dos “normais” me ofereça gratuitamente diagnósticos de loucura, pois louca sou eu que me deixo voar em minha mente ou eles que têm indescritível medo de libertar-se?
Não quero drogas para acalmar minha ansiedade, meu desespero interno, meu incontentamento externo. Não quero drogas que limitem minhas atitudes, que enjaulem minhas ideias, que cessem minha capacidade de pensar por mim mesma.
Sei que estou doente, e aceitar isto já faz de mim uma paciente melhor. Sei que fujo do real numa freqüencia enlouquecedora, que muitas vezes convivo com minha perda de identidade. Esqueço dos que passaram por minha vida e convivo com personagens que criei em meu imaginário. Tenho ciência disso nos meus momentos de lucidez. Contudo, não é pelo fato de ter ciência que vou aceitar e fraquejar, que vou desistir de reconstruir minha história. Não sou uma paciente de hospitais psiquiátricos, mas paciente da vida.
Não mais estarei na platéia do teatro de minha existência. Vou invadir o palco e retomar minha postura de protagonista; de autora da minha história.
Não preciso da frieza de tratamentos científicos para tratar de meus transtornos psíquicos, pois tendo-os, minha mente já está demasiada gélida e pode render-se ao frio em qualquer momento e partir. Preciso de calor para fazer brotar flores em meu inverno psicológico.
Preciso que me interpretem como uma brisa calorosa de pensamentos livres; como humana que, agora, sei que sou. Que me compreendam, pois não vou passar pela minha breve existência contendo minhas emoções que tanto querem me tomar. Vou permitir-me ser dominada por elas sem medo.
Sem medo de mim. Sem aceitar derrota. Vou criar meus medicamentos emocionais e procurá-los pelo Mundo todo.
Pela minha casa.

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