Incomum, desconfortável e novata sensação: ansiar e temer mesclando-se o tempo inteiro, incansáveis, não desistem. Tão instável, não se encaixa no mundo que idealizei através dos planos mudos nas noites imensuráveis em que repousei minha cabeça no travesseiro. Lá, brinco de tudo ou nada. Meio termo é para meio-gente. Há quem diga que é um lugar ilusório para onde vou me refugiar. Isso deveria importar? Criei, é meu, é real. Faço o lugar cheio de grama, sombra, doces e música boa. Faço feliz.
E digo “oi” para a Felicidade.
Ela vem, chega bem perto, roça sua matéria aveludada em minha pele e pára. Alguém chama meu nome bem ao longe, distante, de onde eu não deveria estar. A Felicidade esvai-se. É como quando se coloca um cigarro nos lábios e o tira rapidamente, roubando o tempo de sentir o trago nos pulmões.
Aí machuca, pois meus calcanhares são puxados do meu lugar. Coração humano demais. Uma vida necessitada, viciada demais pra largar sua droga: seu mundo, sua ilusão, sua utopia. Não faz diferença alguma.
Desligo tudo às cegas, pois não encontro botões pause. Puxo na tomada, é mais seguro. E volto pro que é meu.
E viajo.

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