25 de Dezembro de 2010. Natal. Alegria. Compaixão. Fartura (de amor).
Isso é o que sempre vemos na TV estampado no rosto das pessoas, mas quem vive uma história de amor, de amor cruel, que mata por dentro, sabe que essa não é a realidade Natalina, e nem de qualquer outro dia.
Era noite, a noite do tão esperado 25 de Dezembro. Mas ela esperava por essa data não por estar próxima de sua família, nem pela fartura de comestíveis, nem por qualquer outro motivo que não fosse ele. Ela esperava quieta, porém internamente desesperada, que o espírito daquela data o tomasse e fizesse que ele procurasse-a. Que ele a chamasse pra estar com ele naquele dia especial, que dissesse que a amava e que queria não apenas ficar com ela no Natal, mas pelo resto de suas vidas. Que ele chegasse em sua porta, chamasse seu nome e a beijasse, sem medo, diante de toda sua família. Que mostrasse o que ela queria que ele sentisse. Ela queria que ele sentisse o que ela sentia naquele momento e em todos os outros. Não queria que ele passasse pela mesma agonia que a tomava quando ela esperava qualquer sinal que ele lhe desse, mas queria que ele sentisse o frio na barriga que ela sentia quando ele chegava perto, e o calor pelo corpo todo quando ele a tocava. Queria que ele sentisse a saudade que ela sentia, queria que ela fizesse diferença na vida dele como ele fazia na dela. Queria que ele a amasse na mesma medida que ela o amava. Ela queria, e muito. E o maior arrependimento de sua vida era não querer-o quando ele a quis; não ter sentido quando ele sentiu.
Mas ela ainda esperava. Era madrugada. Todos de sua família estavam sorrindo, bebendo e se divertindo. E ela só fazia esperar. Passara da uma da madrugada quando ela resolveu mandar uma mensagem de texto à ele. A mensagem não dizia o que ela queria realmente dizer à ele. Ela ainda tinha orgulho, muito orgulho. Dizia apenas um simples, porém sincero, “Feliz Natal”. Ela desejava mesmo que o Natal dele fosse feliz, e que fosse feliz com ela.
Ela esperava por uma resposta, por uma ligação e principalmente pela presença dele, mas já estava enlouquecendo de tanto esperar. Já havia cansado de ficar sentada sobre a calçada com os olhos pregados na esquina com a esperança de ver seus olhos negros cruzarem por ela. Suas mãos já formigavam de tanto ter um celular em suas mãos, ansiando por uma ligação que lhe permitisse ouvir a voz dele, ao menos.
A felicidade de todos à sua volta chocou-se com seu desespero, e ela sentiu vontade de correr, chorar, explodir as emoções acumuladas dentro dela, mas tudo que fez foi pegar uma cerveja da geladeira e sentar numa poltrona qualquer. E pensar. Pensava, pensava, pensava incansavelmente. Mas ela não queria fazê-lo. Queria se isolar não só de todos, mas de si própria. Queria simplesmente parar.
Três, quatro, cinco cervejas. Uma ligação. O nome dele no visor do celular. Uma explosão de felicidade, desespero e receio, mas a felicidade foi mais forte naquele momento. Ela atendeu:
- Achou que eu me esqueceria de você, sua bobinha?
Ela sorriu e riu. Mas silenciou-se. Só queria ouvi-lo.
- Tenha um feliz Natal, minha linda, e venha me encontrar quando possível.
- Tenha um feliz Natal também, e irei sim, basta que marquemos um dia. (riso)
- Fechado. Beijos, meu anjo.
- Beijos.
Suas palavras para ele foram poucas e vazias. Ela queria dizer que o encontraria naquele momento mesmo, que o amava, que queria desesperadamente beijá-lo naquele instante. Mas não o fez.
Sabia que continuaria esperando pelo dia que fosse o “quando possível” dito por ele, pois por ela todos os dias eram possíveis e totalmente disponíveis para vê-lo.
A doce garota passou o resto da madrugada natalina imaginando como seria o dia que ele fizesse tudo que ela esteve desejando à meses; pensando no quê ele pensava sobre ela, o que ele queria dela quando disse que queria encontrá-la, pois depois do tanto que ela já o havia feito passar, ela pensava que ele devia odiá-la.
Mas não era culpa dela. Ninguém tem culpa de não conseguir corresponder o sentimento de alguém. Assim como ela não teve culpa de não poder correspondê-lo quando ele a amava, ela pensava que agora não podia culpá-lo se ele não correspondesse o amor que ela carregava por ele.
Ela teria que seguir sua vida se isso acontecesse, mas ela tinha esperança de que ele ainda sentisse ao menos uma pequena vontade de estar em sua companhia, porque ela confiava em si própria que podia reviver o belo sentimento que por ela ele tinha.
Durante muitas noites e dias anteriores à 25 de Dezembro de 2010, ela esperou, e sabia que esperaria. E hoje ela ainda espera, e esperará até que enfim os caminhos deles se cruzem novamente.
E que se cruzem definitivamente.

Esses são os sentimentos e desejos de uma pessoa querida por mim, do meu ponto de vista. Sou uma telespectadora desta história, e espero que de tanto assisti-la, eu tenha descrevido-a bem. Sou, também, uma torcedora para que esse conto de fadas e bruxas tenha um final feliz.
Para você, Prima. Carinhosamente.
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