Uma vida


É difícil discernir os sentimentos quando todas as coisas parecem escoar da bolha impermeável que eu vinha criando há meses. 
Vejo tudo indo embora em diminutos passos, como para me provocar. Mas posso estar enganada com o que vejo; sim, “é difícil ver com tantos por perto”. Indo ou não, eu ainda tenho ricas lembranças de sorrisos que tanto adoçaram meu coração. E eu posso vivê-las quantas vezes eu quiser, na mente, na alma e na realidade. Tudo sempre esteve e está em minhas mãos. Talvez seja o motivo de eu perder o controle, de tanto querer programar minuciosamente os minutos para que eu os faça perfeitos. Mas veja uma coisa: continuarei fazendo o mesmo, afinal eu tenho o controle.
As histórias sempre são vistas de ângulos particulares, e eu vejo a minha do melhor que encontrei: de dentro da bolha, uma esfera; não há ângulos. Então tudo é como parece ser de fato. Tudo sempre foi a coisa mais linda que existiu, na minha vida. E se agora tal tudo quer ir embora lentamente, então que queira. Contudo, não ei de permitir como uma espectadora da minha própria história, pois sou eu quem fiz o roteiro, sou eu quem escolhi minuciosamente cada personagem, os cenários, as palavras; sou eu quem protagonizo essa doce vida.
E que assim seja.

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