É como dizem: Algo que começa com mentiras, jamais vai bem. Pois uma estrutura falsa é abalada facilmente e destrói toda uma construção. Já li isso muitas vezes, mas aprendi na prática. E a vida não ensina a teoria. É “a verdade nua e crua”, que devasta, mas cura.
As lágrimas saíram com uma facilidade assustadora, mas todas elas secaram. Todas elas sempre secam. O medo da perda dominou, mas a voz curou. Sabe… não há nada que a voz não cure. A voz era tudo que eu tinha (tenho). É engraçado como algo intangível é o tesouro mais precioso que tenho. A voz era tudo, mas agora posso ter mais, e tenho.
Sou demasiada rica, demasiada protegida. Compartilho meu ouro emocional de bom grado com quem amo.
No ápice do desespero que a verdade trouxe, uma frase de Max Machado não saía de minha mente: “A ignorância me traria alívio e evitaria que eu perecesse na dor”. Eu estava amedrontada, aterrorizada. A dor jamais fora piedosa. Quando ela procura uma vaga para se acomodar, ela empurra com grande força todas as outras emoções, e machuca. Mas não havia e não há espaço para ela. Expulsei-a. Expulsamos-a.
Imagino diferentes lugares psicológicos onde a mentira me levaria. Já levou à muitos, mas enfim desci do falso embarque há tempo de não me perder por completo. Na verdade, alguém me tirou daquele vôo assassino. Agradeço infinitamente por tê-la em minha vida. Por ter sido salva. Por ter salvado, também.
Agora, depois de quilômetros de estradas nos escombros das mentiras, podemos caminhar, livres, pelos campos limpos e mágicos da verdade, fidelidade e acima de tudo da cumplicidade. Agora podemos nos dar por completo e começar novamente, pois a estrutura de tudo não é mais irreal; falsa. A base do amor agora é integralmente verdadeira, firme, concreta e inabalável.
Eu amo você, e agora não há mais nada que me impeça de amar-te por completo. Deixamos de ser “eu”, isso não existe mais. Agora tudo o que temos é “nós”, e é tudo o que precisamos.

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