Não é por que eu quero que aja alguém secando algumas lágrimas precoces que eu precise disso para respirar fundo e seguir para o próximo sorriso.
Não é que eu precise que aquela rua do meu trajeto corriqueiro à um destino qualquer nunca esteja em obras, é só por eu ter me adaptado. Por ter acostumado pois sou muito acomodável.
Não é que eu não queira ousar. Não é que eu não queira um novo emprego, um novo curso, um trajeto alternativo, um lenço de outra cor. É que o que fiz de rotina é seguro. É conhecido. É que eu preciso me apoiar no esperado porque com ele eu sei lidar; porque nele eu vivo no mesmo sofá, na mesma mesa, na mesma rua, nas mesmas pessoas.
É seguro. É previsível. São os mesmos caminhos, que perecem imutáveis por um tempo que me é movível.
Mas o que me faz tola no final, é que mesmo com as idênticas ruas, os ventos são outros.

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