Cega aos fatos


Acordar é inevitável, mas levantar é quase um homicídio para com meu mundo surreal dos sonhos. Ou pesadelos.
Levanto, olho, penso, penso, penso. Olho novamente e penso, mas não vejo. Nunca vejo realmente, por mais que já tenha à muito cansado de olhar.
É difícil ver com tantos por perto”, já diria meu tão desconhecido Izzy. Mas tão difícil quanto ver é sentir, e o “difícil” atualmente me causa preguiça. Me canso de tudo. Sou uma pessoa acomodada.
Penso, vejo os dias passarem mas pouco me movo. Acendo um cigarro e observo as pessoas. Elas me intrigam às vezes quando não estou apenas as olhando, e sim as vendo, mas eu não ousaria decifrá-las.
Leio alguns livros velhos que estão na estante ou alguma reportagem em jornais passados. Acho que isso pode alimentar a fome, a fome que minha mente desesperadamente sente, mas de fome ela não morre. 
De tempos em tempos me pedem para fazer algo que me tire da cama, acham que estou “internada” e penso que estão preocupados com minha sanidade. Eu mesma já deixei de me preocupar com ela, pois esta já se tornou inexistente em meu cotidiano; em minha mente.
Penso como algumas (todas) coisas mudaram, comparando-as com um tempo atrás. Eu senti falta de pessoas, de vozes e de lugares, mas foram eles que modificaram meus dias para o que são agora e eu não os culpo. A Saudade me cutucava, praticamente me amordaçava a cada hora que se passava.
Já lutei muito contra ela, e perdi. Perdi tanto que de tanto perder me deixei derrotar de uma vez. Cansei. Já disse que me cansei de quase tudo, principalmente do que exige esforços.
Voltando à saudade… ela também se acomodou: na minha casa, na minha cama, nas minhas fotos, nas minhas lembranças. Deixei que ela tomasse tudo para si, pelo menos sei que ela cuidará melhor do que posso, pois o que eu posso são apenas pequenas coisas limitadas.
Me limitei a pensar e observar.
Mas até quando? Não sei.
E no fundo, prefiro não saber.

0 comentários:

Postar um comentário