Redenção


Quero render-me.
Não posso mais suportar toda essa náusea que me vem diante dos fatos. Ou não-fatos. Mas sempre vem. Me aguarda anciosamente na esquina da dor com a alegria. Me persuade, com toda sua eloquência, a virar nesta primeira. Eu, tola, sigo minuciosamente todas as instruções. E cá estou, mais uma vez, como se não bastasse minha vinda numerosa para cá em tantos outros dias.
Às vezes chega a parecer que tenho certo afeto por este lugar, de tanto que me faço presente aqui. Ele é traiçoeiro, muito traiçoeiro. Eu poderia listar o mínimo de 15 disfarces dos quais ele usou e eu embarquei. Como se o caminho fosse outro… 
Mas sempre há opções. Sempre há duas delas: uma é sempre diferente, sempre está de cara nova, com um sorriso estampado, a me convidar para um chá; a outra é sempre a mesma: o mesmo sorriso triste, de canto de boca, perdendo a esperança de que eu adentre suas avenidas.
Mas a alegria não deveria estampar um sorriso maior que a dor? 

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