As palavras proferidas tão suave e covardemente que pouco demonstram como são frias e pesadas como chumbo. Pesos superiores ao que minha alma suporta. O coração vacila; a respiração oscila entre o contínuo ritmo de sempre e uma paralização que de súbito torna-se uma taquicardia. O que surpreende mesmo não é a sensação em si, esta já é conhecida, mas sim o motivo, a raíz que de qualquer forma espero que pouco fará diferença.
Há muito eu já havia esquecido do sabor que a dor traz à tudo o que faço. De longe parece sempre tão fácil… De longe parece outra vida, outro espaço em outra galáxia. Não pense que é uma hipérbole. A distância física nos separa em Mundos, mesmo que Mundos sejam apenas alguns passos mais longe.
O cheiro de conflito é tão semelhante ao de desafio, que provoca adrenalina em cada partícula de meu corpo. Contudo, uma vez dentro a história é outra. O Surreal abandona com pressa a situação e a deixa nas mãos e na boa vontade de sua amiga Vida.
É aquele velho desespero, a sensação de auto insignificância. Não, jogar tudo pro alto não me convém. Desistir? Tampouco. Não depois de alcançar. O estado de “missão cumprida” é insubstituível. Uma pena ainda estar à caminho.
Mas as palavras machucaram… não por ressoarem de hora em hora em meus ouvidos, como se me lembrassem de todos os motivos que me fariam abandonar, mas por que elas ameaçam uma história toda de duas vidas tão diferentes. Insuportável e docemente diferentes.
Perdida dentre os escombros do medo em saber ou não se tudo o que fora cruelmente dito é a verdade. A nossa verdade. Aquela verdade camuflada entre sorrisos amarelos, murmúrios carentes e pobres acenos de cabeça.
É, uma hora a bomba explode. Qual o lado sofreria? Dizem que sempre é o mais fraco. Não temos um destes. Então a resposta é óbiva: ambos nos machucamos. Sempre é dessa maneira, mas mesmo que explodíamos um ao outro, tínhamos um ao outro. Quem disse que algo mudou?
Seria tolo dizer que é lamentável. Uma dose amarga de verdade, ao menos, me faz relembrar o que é estar viva. Sim. Viva. Conseqüente e dolorosamente acordada. Viva. Nossos fracassos em relutar… sempre fracassamos com a relutância. Sempre cedemos beijos e tapas, apenas um para o outro.
É assim. Palavras cuspidas densas de amargura, mas que sabemos que se degradarão e formarão minuciosamente as que nos farão voltar desesperadamente para os braços, o peito, as costas e o coração um do outro.

“Sabemos que não importa quantas facas nós colocarmos nas costas um do outro, que nós ainda teremos as costas uns dos outros, porque nós somos muito sortudos! Juntos movemos montanhas, mas não vamos fazer de montanhas pequenos morros.” (Love the way you lie, pt II)
0 comentários: