Por que dizem que esqueci de mim, se árduamente convivo com eu mesma na maior parte dos meus dias? Na maior parte porque em certo tempo convivo só com os outros; saio de mim. Ser “mim” me cansa, e cansa bastante.
Mas mesmo que não integralmente, estou em mim de certa forma. Então como ainda insistem em dizer que me esqueci? Dizer que não falo sobre eu mesma, que não me olho mais no espelho, que ando me vestindo matrapilha… nada disso justifica. Ainda estou aqui, e lhes digo que cuido muito bem de mim.
Mas não limito-me em dizer que sou apenas meu corpo. Meu corpo é apenas meu reflexo que não exige espelho aos olhos alheios, tampouco aos meus. Mas “mim” é os outros. Você “mim” encontra nos olhos de quem me vê, no coração dos que eu amo.
Não me olhe com a pretenção de me conhecer, pois nesse instante provavelmente estarei fora, caminhando por outros seres. Sou uma caminhante, à procura de mim. Numa corrida para me encontrar em todos.
Pois os sou. Todos eles, os seres.

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